Friday, February 13, 2009

Ardor santificado


Arde na conjunção.Incendeia o vapor na multiplicação.Vibram as mesas das janelas e as tuas pestanas são alimento perpétuo.
Majéstico espiar de lápides!Orações imbatíveis cruzam dependências que se tornam ornamentos de museus insidiosos.
Luz, arte Antiga de meus filamentos, ruge nas alumiações e nas cadências ferventes das alturas e dos olhares trevosos!Sê minha filha hoje e sempre, sê o olhar de meus silêncios sedosos e terroríficos!

Não grites que não te faço mal, sei de cor a melodia dos mortos-vivos.Não lhes tenhas receio, são carinhosos nas suas deambulações petrificantes.Sentem-te os passos e recuperam-se nas águas , afinal as ondas levantam-se quando o céu as mortifica e as oferece em sacrifício.Arranha-as e tornar-te-ás maré.

Afinal, o som das silhuetas sabe seduzir o dia, pertence-lhe.


Monday, January 26, 2009

II Aniversário do TEMPLO

Cresces como uma parte de Mim que jamais vou revelar ou sequer entender.És túmulo, e és janela de túmulo.
A Enviada renova os votos.

Monday, January 12, 2009

Digo-te


Serenamente... destemidamente!
Água veludo caixa trevo canção

Alimenta o meu olhar

Caço os horizontes

Assim prosseguem os amantes

Entranham-se

Nas rubras alucinações

Sunday, January 11, 2009

O Toque Supremo


Movimento que satisfaz o mecanismo da Alma.Mas a Alma, reincidente no crime,avança nas torres, esvoaçando nos dorsos dos cavalos. Torna-se tão pura que as chamas não a alcançam, é a própria chama a suplicar. Todas as flores do recanto sagrado fazem vénias ao inesperado flamejar deste Abraço.

Não seria de imaginar que a luz produzisse certos efeitos frementes mas a treva foi primordial no reaproximar dos estados contíguos.As mãos que dantes temiam o fulgor estão agora unidas no Verbo.Os corações outrora atingidos por arpões estão agora a sarar nos braços de lascívias puras e de violações especiais.A Alma toca a Voz e reage a Melodia.

Apenas Sentir.

Saturday, January 10, 2009

Da incoerência


Dança, abóbada infernal
Nas costas de um retalho abrigo cáustico
De terras insensatas a borbulharem
Gotas ásperas de sons
Na infame reverência no aproximar
Do oceano rubro
À terra das tuas interrogações

Sabes o nome dos montes das águas
Mas evitas pronunciar o sacramento
Não sei porque te escondes
Nas miragens afogadas

Friday, January 9, 2009

Versículo



Castelos incendiados em cenários serenos de lava sopram verdades intensas nas águas revoltas do olhar.Quando as luvas escamam as paredes e as fazem verter.E os céus suspiram guardas impermeáveis.Sonhos respiram nas espirais.

Thursday, January 8, 2009

É Primavera


Rasto de sol nas lúgubres saletas.Um pingo de cera a escorrer na pele dos vidros.Um aceno majéstico que planeia lápides em sementes de húmus nos quadrilhos.

A quadrada esfera que contagia as horas.O inexistente relógio que grita e não tem clemência.Se as esferas são paralelas as águas encontram-se nos dedais.

Já não fere a tempestade.Já não esbracejam sequer os tumultos da lição.Já não sopram aos verdugos as sinetas da tortura.

Ouvem-se palmas dobradas,gritos de guerra e mantras divinos.

Regressos imaculados,filhos de uma dor santificada.

Wednesday, January 7, 2009

Dois pontos:


No silêncio as texturas nos patamares a escuridão
visionários acordados
no chão do ventre o oscilar permanente da voz
indecentes no sacrilégio maior arrepia o som
presente na vastidão oceânica dos louvores
apertem-se as orlas para que acenem
questionando-se

Tuesday, January 6, 2009

Lume


Visito o átrio,
novamente.
reinstalo-me
no meu próprio
Templo

-A memória estala nas redundâncias.

Monday, January 5, 2009

Lanternas e Odisseias

Não há murmurar mais belo
que o de batalhas sangrentas
em que a alma dos dias passados
deambulará sem rumo
nas cortinas que esvoaçam
dentro de dentro da Alma

Sunday, January 4, 2009

Janelas


Quando te deitas na floresta
entreabres as copas
deitas-te
na maciez
da noite
semi-aberta
em par e
despertas

Saturday, January 3, 2009

Pulso


Impõe-se

nas crateras

uma luminosidade

antiga e

crescente

que

seja capaz de

implorar-se

nas artérias



Friday, January 2, 2009


O alimento,devoram-no os corvos nas escarpas.Retalham feridas que embebedam langores.Secam os rios que sobem às árvores e as árvores vertem novos rios só para que grites na melodia.
Agora,deixa que te diga(outra hipótese não tens),sempre que escorre lama nas pedras,é como se arrancasses a pele aos sonhos e os vivesses.

Thursday, January 1, 2009

FELIZ 2009!


Abraço ternamente a ferradura,enlevo-me nos brados incessantes de Marte a abraçar Vénus,num resguardo do Sol vindouro.A ampulheta,feliz,joga comigo nos corrimentos,estanca e fica suspensa no encanto das minhas luzes internas.A aragem da minha Alma é suave,todas as ramagens se abraçam e se entregam nos veios.
Deambulo sorrateiramente nos corredores do portal,castiçais iluminam as reentrâncias nas curvas aromáticas das minhas férreas convicções.Ternurenta,a fuligem do tempo transforma-se em óleo,aquele,a minha fragrância favorita.
A dança entranhada no sangue,as faíscas imponentes da maresia,os olhares cúmplices,o toque das noites e das manhãs,estão todos aqui.Avanço rumo ao horizonte;toque de Arco-Íris.A Natureza abençoa-Me e abençoa-Te.

FELIZ ANO NOVO MAGNETIKMOON!

Friday, December 12, 2008

Sombra de prata


Chaves insinuosas cravam espinhos
no dorso das asas
serenas da noite
sedosas luvas de carne
infringem códigos
tornam-se válvulas vazias de frio
e cavalgam muralhas...

Friday, November 21, 2008


Gentil ao toque,indecifrável centelha.Luzes como espadas afiadas nos trópicos secos.Se te deslindas nas asas breves,não sei.Se te encostas ao caixão da inocência e te deitas nele,também não sei.Dir-me-ás que sei o sabor da noite, mas não te respondo.

Monday, November 17, 2008

A marca do Escorpião I

Deslumbra,águia
a água das fontes
pendurada no cristal
das frestas da caminhada
O sal que se entranha
na sonhadora avenida
de séculos ao som
das lâminas
no palácio enfeitado
de horizontes

Celebra-te,guerreira
das noites infindas
do sonho que dá a cor
ao pacífico inferno

Rugimos violentamente na nossa ardência natural,celebramo-nos com majestade.

Há o Dia, e o dia após o Dia.
Há esgares tardios que reflectem sombras angulares nas paredes do Tempo.Entre um oceano profundo e uma marca cinzelada no magma existe uma ténue sagacidade de levezas.E é nessa estranheza que o Guerreiro nocturno deste Dia extingue a dor e acende a tocha infinita dos luares deitados.
O Oceano que acolhe os sentidos,a percepção incendeia a melodia que afaga a pele.

Sempre o mesmo sentir,sempre tão singular.

Geramos interioridade.


Friday, November 14, 2008

Temporização


Traços rasgados na sombra
despedaçam risadas
nas penumbras
da Lua empolada na saliência
inquieta das horas
e celebram insanidades
impertinentes
no desmembrar das dores

os fechos das masmorras
desabam ardores urgentes
na pacificidade do langor
terno
das cascatas

Thursday, November 13, 2008

O Magma de Novembro


Magma de Novembro
O meu magma
As artérias compulsas a alisar
crateras desencovadas nas planícies das palavras
rudes anjos bélicos constantes na sede fervente

As espadas cruzadas na areia movediça
espelham as asas da coruja
esplêndida cereja a brotar ondas
no meu manto de vítimas
imponente suicido as luzes
entrego-te às varizes da tortura

Surpreendem os caules
que se arrastam nas amenas luas
são fantasmas alistados
na permanente solidão de sentir
o infinito
enroscado
nos olhos da serpente
que é águia real


Wednesday, November 12, 2008

Turbulência


Retalho o senso encostada à divagação e entrelaço a sombra no capuz da erótica melodia , do sempre que te contagia, do lume que aquece os teus passos, célebres na morbidez da velocidade com que te rasgo a pele.

Serei sempre coveira dos tesouros ensolarados nas distantes eras em que as árvores se juntavam nas penumbras secas e os olhares das lunares inquietações eram infernos pequenos de tétricas letras a sangrarem dos teus lábios.

Agora, seco as fontes das ameaças e trituro-as após degolar as visitas da dor esparsa , porque sou etereamente composta de directrizes sem tempo e tenho o poder de esventrar os langores tépidos dos horizontes.

Enfrento os universos calados da espera que angustia a varanda fúnebre, estendo tapetes retalhados na fímbria das manhãs e escuto o fulgor das minhas garras a colherem alimento na simbólica arena.