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Wednesday, October 8, 2008

A quatro mãos


a mão de um silêncio que emana segredos
a mão de um silêncio que emana vapores...
serpenteia o fundo olhar de um suicida,
lastimando a crua realeza
mastigando serpentes
o suicida que teceu cordas com suas veias
e uma escada com seus tendões
tentando abraçar as portadas de um céu
enlaçando artérias escuras e oleosas no desdém do futuro
estrondoso relampejar de serenas tempestades
e o futuro agora é um inferno presenteado nos mármores ensanguentados
olha-me e segreda-me o céu das tuas mãos
celebração incontida na sombra lilás do meu olhar
e o olhar é um prisma sobre a estrada futura que se parte
exacta medida de veneno a esticar luxuriosas mangas
de luz repartida
a luz reprimida de um sol sem sombras
num pavimento estrelado o abismo o portão
ondeia lajes cavernosas e cadavéricas
onde a semente
entrega à água
o suave sentido do seu nascer
o lusco-fusco repatriado
a manga justa do casaco desapertado
ensanguentado
a retalhar frutos com as garras com as sedas o amanhecer
que recai nos ombros do suicida perdido nos umbrais do seu ser
o suor repara a ferida e a ferida retorna ao mar
cujo sal pensa a ferida até cicatrizá-la
cauterizando o luar permanente das sombras
no eco impreciso de mãos que pensam
tudo pensa ao redor, menos as mãos do suicida
que caem no mármore
silenciosas
e beijam o espaço vazio do casaco
no esqueleto trancinado das marés...


*Este poema foi escrito a quatro mãos por mim(texto red) e pelo Alisson (texto branco)
do Ein jeder Engel ist schrecklich .
Ao amigo da terra mais portuguesa do Brasil deixo o meu agradecimento e um abraço forte de re-encontro.

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